domingo, 30 de novembro de 2008

PROCESSO DE SOCIALIZAÇÃO DA CRIANÇA


Disse Freud, que para muitos pais seria impossível educar bem seus filhos realizando todos os seus desejos, sem restrições. Esses pais acreditam que é inviável atender todos os desejos dos filhos. Hoje em dia, a confusão de valores, o uso de regras e modelos e o medo de errar por vezes abafam a tendência natural que é dizer não para tudo ou atender todos os desejos sem limites. Todavia, o que eles precisam é alcançar equilíbrio entre o sim e o não nesses momentos.

O comportamento social das crianças da primeira e da segunda infância existe entre elas uma grande diferença. A criança da primeira infância é aquela que se enxerga no centro de todas as coisas, ou seja, tudo gira ao seu redor. Já as crianças da segunda infância conseguem sair dessa etapa e fazer parte do ambiente em que ela já não se sente mais o centro de tudo e passa a percebe o outro. Essa mudança de uma para a outra dependerá muito da vivencia de cada uma delas.


Sabemos que a criança não desenvolve seu comportamento social simplesmente numa sala de aula com qualquer que seja a disciplina, ela desenvolve esse comportamento através das suas condições biologias, sociais, ecológicas, econômicas, culturais, etc. Na maioria das vezes, espera-se que a criança aos 7 anos por estarem teoricamente na segunda infância alcance o grau de socialização desejado estando assim preparada para conviver com crianças da mesma idade ou mais velha um pouco na escola. Porém, é na escola que a criança tem ficar parada sentada numa fila de cadeiras observando um professor que está ensinando, sem poder ao menos movimentar-se de um lugar para outro.


Muitos pais esperam que seja na escola o lugar em que a criança avance cada vez mais no processo de socialização. Sendo assim, os educadores precisam estar conscientes de que é papel da escola oferecer subsídios como estratégia de inclusão e socialização para essas crianças. Umas das estratégias seria a recreação, que é uma prática prazerosa em que os alunos participam de atividades descontraídas. Ela pode ser uma importante estratégia de inclusão e socialização, além de desenvolver as habilidades psicomotoras das crianças.


A socialização de uma criança desenvolve harmoniosamente adquirindo superioridade sob o ponto de vista da independência, confiança em si, adaptabilidade e rendimento intelectual, portanto, o tempo de cada criança desenvolver-se é completamente individual, por ela ter 7 anos não quer dizer que o tempo dela seja igual ao de outra criança da mesma idade. São as experiências vividas por cada uma delas que possibilitarão esse avanço. Sendo assim, cabe ao professor estimular e orientar a criança, considerando os estágios de desenvolvimento, desafiando-a sempre a pensar por si própria. Criando um ambiente que estimule a atividade criadora da criança, além de contribuir para o seu desenvolvimento global, estará, certamente, favorecendo a aproximação da criança à realidade escolar.


As crianças que tiveram a oportunidade de desenvolver atividades na primeira infância como: percepção visual, coordenação motora, percepção auditiva, linguagem oral, Educação Artística e Educação Física entre outras atividades que integram o processo de aprendizagem da criança com o processo de socialização, são crianças que o desenvolvimento cognitivo já está em construção, pois tiveram oportunidade de passar pela primeira infância de uma forma que não sofrerá conseqüências na segunda infância tendo que se socializar com os outros sem ter vivido experiências pertinentes ao seu estágio de desenvolvimento.


Para Florestan Fernandes, a brincadeira cria um espaço para aprender. As crianças na maioria das vezes gostam de brincar imitando os pais e a professora,  e essas brincadeiras não passam de uma simples brincadeira. O que para os adultos é coisa séria, para as crianças tudo não passa de uma boa brincadeira. Por isso, a participação da família nesse processo é imprescindível, o desenvolvimento da criança deve ser acompanhado principalmente pelos pais, pois a escola é apenas um suporte facilitador para todo o processo. Os pais devem acompanhar a rotina da criança na escola e propiciar momentos que ajudem cada vez mais o desenvolvimento do processo de socialização de seus filhos. Os sinais do comportamento social da criança aparecem muito cedo, basta ser observados com muita atenção através de seus atos e é a família que vai estar presente nesse momento.


            Piaget escreveu: " basta observar um bebê de dez a doze meses para notar a quantidade desses rituais que anunciam as regras dos futuros jogos". Portanto, a inteligência depende essencialmente de como cada indivíduo interage com o meio e compreende os seus signos, articulando as informações de uma forma que lhe permita uma participação efetiva na realidade circundante.


Segundo Winnicott (1975), “o brincar facilita o crescimento” e, em conseqüência, promove o desenvolvimento. Uma criança que não brinca não se constitui de maneira saudável, tem prejuízos no desenvolvimento motor e sócio/afetivo.  Possivelmente torna-se-a apática diante de situações que proporcionam o raciocínio lógico, a interação, a atenção etc.

 

Para Le Boulch que dedicou-se à assuntos mais ligados a Educação Física: “Desde cedo o inicio do desenvolvimento psicomotor inicia-se o processo de socialização, uma vez que o equilíbrio da pessoa só pode ser pensado pela/e na relação com outrem", ou seja, a criança se desenvolve tanto socialmente como intelectualmente através da convivência com outras crianças e nas experiências vividas no seu dia a dia.

 

Brincar é parte integrante da vida social e é um processo interpretativo com uma textura complexa, onde fazer realidade requer negociações do significado, conduzidas pelo corpo e pela linguagem. (FERREIRA, 2004, p. 84)

 

As regras, tal como deve ser utilizada socialmente, se manifesta com evidência mais ou menos dos 7 aos 11 anos e nessa fase que a ação da professora não pode ser simplesmente submeter as crianças às regras adultas, mas sim, estimulá-las a utilizá-las como recurso de convívio.


 Então, vimos que o lúdico e infância não podem ser dissociados, toda atividade da criança deve ser espontânea, livre de qualquer repressão, antes de tornar-se subordinada a projetos de ações mais extensas e transformadas.  Portanto, o jogo é uma ação voluntária que possibilita a socialização da criança.

Um comentário:

Lygia Orrana disse...

Qual o ano dessa publicação de Freud?